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Está preparado para 2018 e seus desafios para RH?

Mas o que se esperar do mercado de trabalho em 2018?
Quais serão os desafios das áreas de recursos humanos em 2018?

 

Falar sobre o futuro é sempre difícil. Alterno a sensação de analista de mercado com a de “mãe diná” quando me perguntam sobre o futuro e as perspectivas do mercado de trabalho. Tentar prever o que vai acontecer é sempre muito difícil.

Quem me conhece, sabe que sou um profundo questionador de metodologias de avaliação de empresas como o “Método do Fluxo de Caixa Descontado” de John Burr Williams (1938). A maior razão desse ceticismo se deve a elas estarem baseadas em premissas no futuro, e o futuro “a deus pertence” como já diz a sabedoria popular.

A Teoria de Williams nos diz o seguinte:

“Um ativo vale a soma dos seus fluxos de caixa de hoje até o infinito, trazidos a valor presente por uma taxa de desconto apropriada”.

O problema para a tal determinação do valor é que os fluxos de caixa futuros estão… no futuro! Meu simples argumento é que o futuro é imprevisível. Como podemos considerar receitas do futuro, hoje se não sabemos se esse negócio será descontinuado ou substituído por algum aplicativo ou algum modelo de negócio disruptivo?

Bom, vamos voltar ao tema. Vamos falar sobre os nossos desafios em RH para esse ano de 2018.

 

Ambiente Político

 

  • Não conseguimos medir a chance real de um candidato competitivo que apoie as reformas.
  • As chances de candidatos de extremo esquerda ou direita são remotas, acredito que o perfil vencedor será favorável às reformas.
  • Sob inflação baixa e emprego aumentando, o sentimento de bem-estar da população estará em outro nível. As recentes reformas econômicas vão fazer sentido para a população, os candidatos terão que se linhas a trajetória de recuperação e de responsabilidade fiscal.
  • Não obstante, ainda é muito cedo para cravar quem vai ser o presidente, mas a recuperação econômica dos últimos meses e a de 2018 parecem ter nos livrado da condenação de um candidato irresponsável do ponto de vista fiscal.
  • Reforma da previdência – o atual governo, aparenta não ter o apoio necessário para fazer a reforma. Com essa, certamente o cenário melhoraria bastante.

 

Cenário Econômico

 

  • Viemos de 2 anos de forte desaceleração da atividade econômica;
  • Alto desemprego e consequente abundância de profissionais em busca de recolocação.
  • Pesquisas salariais apontando diminuição nas médias salariais de até 20 % para diversos cargos e setores.
  • PIB – Projeção de 2,8% de crescimento (BACEN – Relatório Focus) e (subindo nas revisões dos analistas), algumas pessoas falam em 4%.
  • Queda da taxa básica de juros – 6,75% (lembrando que em Outubro de 2016 a taxa era de 14,75%)
  • IPCA está em 2,86 % no acumulado dos últimos 12 meses. A meta da inflação para este ano é de 4,5 %.
  • A taxa de desemprego seguiu sua trajetória de redução, encerrando 2017 em 11,8%, movimento que deve ter continuidade em 2018.
  • Com dinâmica também positiva, a produção industrial teve expressivo crescimento em dezembro, encerrando o ano passado com expansão de 2,5%, o que cria uma perspectiva favorável para a atividade econômica como um todo.
  • Investimentos de capital estrangeiro continuarão de forma pontual.

 

Segundo Relatório Econômico do Credit Suisse1:

• “O maior crescimento do PIB em 2018 estará associado, principalmente, à continuação da sólida expansão do consumo das famílias e à ampliação dos investimentos, após sua contração nos últimos anos. O crescimento do consumo das famílias em 2018 responderá à manutenção de condições de crédito favoráveis, à alta da massa salarial real e ao aumento do número de postos de trabalho.
• Os investimentos crescerão em 2018 como reflexo da expansão do crédito para pessoas jurídicas, revertendo o declínio de 2017, e da alta da confiança de empresários.
• A contribuição do setor externo diminuirá ligeiramente, em virtude do aumento das importações, como reflexo da maior demanda doméstica. A contribuição do consumo do governo para o PIB será praticamente nula, após vários anos de contração.”

Mercado de Trabalho

 

  • Há um consenso de analistas de mercado de que a taxa de desemprego média no ano diminuirá de 12,7% em 2017 para 12,0% em 2018 e 11,6% em 2019, em função da expectativa de recuperação do crescimento da população ocupada.
  • A retomada da atividade contribuirá para a elevação dos salários reais nos próximos anos.

 

FONTE: IBGE, Credit Suisse

 

Então, como será o ano de 2018 para os profissionais de RH?

 

Aqui na LINCO, já percebemos uma pressão positiva de contratações em janeiro e início de fevereiro. Meses em que normalmente há uma baixa demanda dada a sazonalidade do nosso negócio. Meus 10 anos em executive search, já me ensinaram isso.

Empresas e investidores certamente estão cansados do marasmo dos últimos dois anos e já começaram o ano fazendo o que precisa ser feito. Pesquisa realizada pela consultoria Deloitte2 com 750 empresas dos mais diversos setores e regiões, que juntas representam 26% do PIB em receitas estimam crescimento para 2018.

Apesar dos desafios da economia, as empresas participantes do levantamento estimam que para o fechamento de 2017 um crescimento de 14,8% em sua receita líquida. Para 2018 a expectativa é de um aumento de receitas ainda maior, chegando a 19%. Resultado sugere um otimismo do mercado em relação ao próximo ano. A mesma pesquisa mostrou que 85% das empresas farão investimentos maiores em 2018 do quem em 2017.

• 41% dos respondentes esperam aumentar o número de funcionários
• 47 % esperam manter o número de funcionários
• 42% consideram substituição de funcionários por mais qualificados
• 21% consideram substituir funcionários para reduzir custos
• 12% preveem diminuir o número de funcionários
• Esse número de 41% representa um aumento de 15 pontos percentuais em relação a expectativa de 2017.

 

Como atuar nesse cenário?

 

Em função de tudo que foi exposto acima, em 2018 teremos um movimento de retomada de contratações que exigirá das empresas uma estratégia sólida por parte dos profissionais de Recursos Humanos.

Os talentos, voltarão a ser assediados pelo mercado. Claro que não teremos uma “briga” por profissionais como entre os anos de 2009 e 2014, mas não há espaço para negligenciarmos a crescente demanda por profissionais.
Essa estratégia deve abordar todos os subsistemas de Capital Humano. Politicas mais fortes de retenção e recompensa devem ser olhadas com mais cuidado, assim como competividade salarial.

Políticas diferenciadas para os outperformers e key professionals também devem ser pensadas.
Enxergamos uma necessidade de retomada dos investimentos em capacitação e treinamentos para suportar o crescimento das organizações. Lembrando que num mundo onde tudo muda muito rápido, saí na frente quem se atualiza, se prepara e investe primeiro.

 

Você vai ser pego de surpresa ou vai se preparar para essa onda? Depois que ela passar, não adianta começar a remar, ok?

 

Certamente o ano de 2018 pede uma estratégia distinta para os times de RH e as organizações. Vamos retomar os projetos de crescimento e os talentos serão recursos chave neste processo. As organizações que fizerem uma leitura mais rápida e identificarem parceiros afinados com este cenário, vão sair na frente e colher os frutos.

 

Nós da Linco acreditamos que a nossa missão é transformar à vida de profissionais, gerando valor às organizações. É o que nos realiza, causar impacto positivo nas organizações. Atuamos no alinhamento de ações de capital humano aos objetivos e desafios organizacionais com expertise em: Consultoria de Recrutamento, Desenvolvimento Organizacional e Remuneração Estratégica.

 

Flavio Innocentini é Managing Partner na Linco (flavio@lincobr.com)

 

1Credit Suisse – Brasil – Cenario melhor, mas ainda incerto para 2018 e 2019https://www.poder360.com.br/wp-content/uploads/2017/12/credit-suisse-cenario-brasil.pdf

2Deloitte – Agenda 2018, Deloittehttps://www2.deloitte.com/br/pt/pages/about-deloitte/articles/agenda-br.html